
DANIEL BERGAMASCOda Folha de S.PauloImpresso em 40 mil exemplares, um panfleto produzido para ser distribuído naParada do Orgulho GLBT de São Paulo orienta os participantes sobre o uso decocaína."Para cheirar, prefira um canudo individual a notas de dinheiro", diz omaterial, que também traz dicas sobre outras drogas: "Faça uma piteira de papelse for rolar um baseado"; "Compartilhe a droga, nunca o material a ser usado".A cartilha estampa o selo colorido do governo federal, aquele do slogan "Brasil- Um País de Todos". O Ministério da Saúde confirma que os dados utilizados notexto são coerentes com a sua política de redução de danos.Também estão impressos na cartilha logotipos dos programas contra DST/Aids dogoverno estadual e da Prefeitura de São Paulo, do Ministério do Turismo e daEmbratur. Entretanto, segundo as respectivas assessorias de imprensa, os órgãosnão tiveram participação na elaboração do material.O panfleto --que, dobrado em quatro partes, forma uma cartilha de oito páginas--começou a ser distribuído ontem, durante a Feira Cultural GLBT (sigla para Gays,Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), no vale do Anhangabaú (região central),principal evento paralelo à parada. A distribuição continuará no domingo, quandoa parada deverá reunir 3 milhões de pessoas, segundo estimativa dosorganizadores.
9 Jun(3 dias atrás) Regina Fachini, vice-presidente da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, diz queo objetivo do texto é "alertar para o risco de contaminação durante o uso dedrogas, de acordo com dicas do Ministério da Saúde". "É a idéia de redução dedanos para afastar riscos de doenças transmissíveis, como a Aids", diz Fachini.InvestigaçãoO material elaborado pela organização da Parada Gay é criticado pelo delegadoWuppslander Ferreira Neto, do Denarc (Departamento de Investigações sobreNarcóticos), que diz que investigará o evento para checar se existe facilitaçãoou omissão ao tráfico de drogas."O lançamento de um panfleto assim mostra que a parada reconhece que lá vai seusar cocaína e maconha", diz o delegado. "Esse panfleto é uma aberração. É umincentivo ao uso de drogas e ao tráfico, que são crimes. A preocupação emalertar para cuidados de higiene não pode ser maior que a preocupação sobre ouso de drogas."Médicos infectologistas ouvidos pela Folha divergem sobre a política de "reduçãode danos". "Particularmente, sou radicalmente contra o uso de droga em si. Nãotrabalho com hipóteses de redução de danos", diz David Uip."O ideal é não usar droga nenhuma, mas a divulgação dos cuidados é positiva paraminimizar problemas", diz Hélio Vasconcelos Lopes.A cartilha, que defende o uso de preservativos e fala sobre anabolizantes, temoutra dica polêmica, que diz: "Quanto mais cedo você souber se tem o HIV, maistarde começará a tomar a sua medicação"."Quisemos dizer que, quando a pessoa descobre que tem o vírus cedo, pode começara levar uma vida mais saudável e retardar o início do uso de remédios", dizFachini."Isso não tem nada a ver", discorda o médico Vasconcelos Lopes. "É claro que émelhor descobrir o quanto antes, mas o início do uso de medicamentos variaconforme cada caso."O horário de início da Parada Gay é às 13h30. Está prevista a passagem de 23trios pela avenida Paulista, que se dispersam em frente à praça Roosevelt
9 Jun(3 dias atrás) Regina Fachini, vice-presidente da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, diz queo objetivo do texto é "alertar para o risco de contaminação durante o uso dedrogas, de acordo com dicas do Ministério da Saúde". "É a idéia de redução dedanos para afastar riscos de doenças transmissíveis, como a Aids", diz Fachini.InvestigaçãoO material elaborado pela organização da Parada Gay é criticado pelo delegadoWuppslander Ferreira Neto, do Denarc (Departamento de Investigações sobreNarcóticos), que diz que investigará o evento para checar se existe facilitaçãoou omissão ao tráfico de drogas."O lançamento de um panfleto assim mostra que a parada reconhece que lá vai seusar cocaína e maconha", diz o delegado. "Esse panfleto é uma aberração. É umincentivo ao uso de drogas e ao tráfico, que são crimes. A preocupação emalertar para cuidados de higiene não pode ser maior que a preocupação sobre ouso de drogas."Médicos infectologistas ouvidos pela Folha divergem sobre a política de "reduçãode danos". "Particularmente, sou radicalmente contra o uso de droga em si. Nãotrabalho com hipóteses de redução de danos", diz David Uip."O ideal é não usar droga nenhuma, mas a divulgação dos cuidados é positiva paraminimizar problemas", diz Hélio Vasconcelos Lopes.A cartilha, que defende o uso de preservativos e fala sobre anabolizantes, temoutra dica polêmica, que diz: "Quanto mais cedo você souber se tem o HIV, maistarde começará a tomar a sua medicação"."Quisemos dizer que, quando a pessoa descobre que tem o vírus cedo, pode começara levar uma vida mais saudável e retardar o início do uso de remédios", dizFachini."Isso não tem nada a ver", discorda o médico Vasconcelos Lopes. "É claro que émelhor descobrir o quanto antes, mas o início do uso de medicamentos variaconforme cada caso."O horário de início da Parada Gay é às 13h30. Está prevista a passagem de 23trios pela avenida Paulista, que se dispersam em frente à praça Roosevelt